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Knurd Report - The Knurd Project EPISODE 3, 28th March 2019
Knurd Report #53c
00:00:00 01:16:57

Knurd Report #53c

00:01:06 Survivor: Edge of Extinction
00:28:07 Umbrella Academy
00:48:19 Russian Doll

Featuring music: Harry Nilsson - Gotta Get Up

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Aquele primeiro roubo fora amedrontador e excitante. Sabe aquela adrenalina que atravessa queimando o caminho por onde passa? Aquele raro e acentuado sabor que têm as coisas verdadeiramente proibidas? De tudo o que era objetivamente criminoso, sem duplas interpretações e cujas consequências eram reais e potencialmente terríveis? Elas poderiam muito bem ter sido presas. – O que fora levado naquela noite? – Ela nem conseguia se lembrar... Algumas joias, talvez... Algo que imaginavam possuir alto valor financeiro no mercado e quase nenhum emocional para o (ex) dono. Algo que não faria diferença para ele ou ela... Além do mais, elas não precisariam fazer isso pra sempre. Era essa a sensação, não era? Era aquela a tal convicção que pulsava no compasso frenético do coração de Gabriela. Não tinha que ser pra sempre. Era só pagar algumas dívidas. Alcançar o Nirvana. Abrir os chakras. Como é que Nero tinha explicado? Enfim... Se divertir um pouco com Valéria, claro. Era o principal. Os melhores momentos eram quando ... que som era aquele? Era ritmo compassado, uma batucada agressiva e estonteante, mas surda e distante, como se estivesse abafada por algodão nos ouvidos. Ok, ok, não importa. Valéria, era por ela, era tudo por ela no fim... mas que porra é essa?

Era o imbecil do Nero. O Nero era um cara que só chegou depois, sabe. Ele se encontrava parado alguns passos adiante, posando pretensioso rodeado de luzes neon de todas as tonalidades, sua silhueta delimitada por uma intensa luz que, apesar de clara e vibrante, trazia a tona aquela sensação sombria do perigo que você sente num beco sem saída no meio da madrugada, dois reais amassados e um celular descarregado no bolso. Aquela sensação teria a ver com o lugar, ou com as lembranças a ele associadas? Gabriela entendia o motivo pelo qual sua mente a transportava para aquele momento no tempo; Enquanto celebrava o fim de tudo, ela viaja através dos começos.

E pelo menos agora o som perdia o abafamento, enquanto Gabriela se abria para a experiência e permitia que aquele reflexo de seu passado se tornasse mais real. A musica aumentara de repente de volume, uma onda de som violando seus tímpanos, uma batida perfeitamente desenvolvida para despertar em cada ser humano suas necessidades sexuais mais primitivas. E Gabriela percebeu que se movia, estava rebolando, ela descia sensualmente até o chão e voltava empinando a bunda, e ela trazia pendurada numa alça através de seu corpo uma caneca de plástico vazia, tirando finalmente uma folga depois de horas sendo preenchida e esvaziada com literalmente qualquer líquido gratuito e alcóolico que ela pudesse encontrar. Seu cabelo estava solto e suado, grudado na testa e no pescoço, e ela usava uma camiseta apertada que deixava uma parte de sua barriga de fora e isso não a incomodava. A bunda coçava com o suor e tudo piorava por causa daquele shortinho curto péssimo que Valéria vinha há anos insistindo que experimentasse, e ela fez isso sem pestanejar, pois naquela noite decidira que seus pulsos não estariam atados por nenhuma amarra social. Ela diria “sim” a qualquer coisa que Valéria propusesse, pois Valéria trazia de brinde toda a segurança de que Gabriela precisava. A pessoa mais aleatória e caótica que conhecia era também a única cujas atitudes ela conseguia prever; Valéria era um defeituoso, porém bem intencionado sistema de navegação para o revoltoso e malicioso oceano da vida real.

Ela se lembra de então virar na garganta umas cinco doses de tequila antes de entrar no imenso galpão onde as luzes piscavam e a dignidade humana não entrava, e logo sentir o efeito intenso do álcool no seu organismo de recém-usuária se misturando com a pressão baixa gostosinha fornecida por tabaco e maconha. O desmaio iminente era adiado