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QSA 5 - INTENSIDADE DE PROPÓSITOS E CLAREZA DE IDEIAS.
Episode 1875th June 2026 • Hextramuros Podcast • Washington Clark dos Santos
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Shownotes

Neste conteúdo, converso com LUCIANO CASTILHO, Agente de Telecomunicações da Polícia Federal, autor do livro "QSA 5 - Comunicação em Missão Crítica na Era da Informação e do Caos", no qual entrelaça de forma magistral as perspectivas históricas com as necessidades modernas de comunicação, enfatizando o elemento humano em meio aos avanços tecnológicos em um cenário caracterizado por conflitos e crises, onde a comunicação transcende a mera transmissão, avançando para um vetor de formidável poder e influência.

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Transcripts

ANFITRIÃO:

Honoráveis Ouvintes! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião! Vivemos em um tempo em que conflitos armados, operações policiais, crises institucionais, catástrofes naturais e disputas no ambiente digital se sobrepõem em um mesmo espaço: o da informação. A comunicação deixou de ser apenas um meio e passou a ser, em si, um vetor de poder, de influência e, muitas vezes, uma arma. Na chamada Era da Informação e do Caos, a disputa não ocorre apenas no terreno físico, mas também no ciberespaço, nas redes, nos sistemas e, sobretudo, na mente humana. Voz, dados e imagens tornaram-se instrumentos estratégicos para comandar, enganar, proteger, desinformar, influenciar e sobreviver. É nesse contexto que se insere o livro QSA-5 – Comunicação em Missão Crítica na Era da Informação e do Caos, do Agente de Telecomunicações da Polícia Federal LUCIANO CASTILHO, que propõe uma leitura que vai além da técnica, integrando tecnologia, doutrina, propósito, ética, capacidades humanas e lições históricas, sob uma perspectiva que dialoga inclusive com a pedagogia jesuíta aplicada aos grandes guerreiros. Para compreender essa abordagem, seus fundamentos e suas aplicações práticas na segurança pública, nas operações e no mundo corporativo, tenho a honra de receber o nominado autor, ao qual saúdo com as boas-vindas e agradeço enormemente pela gentileza em aceitar ao nosso convite e iluminar a este canal! Satisfação tê-lo conosco, Luciano!

Ao longo do livro, você percorre desde guerras medievais, passando pela corrida espacial e pelos atentados de onze de setembro, até chegar às operações contemporâneas. Que padrão histórico identificas sobre o papel da comunicação nesses diferentes momentos, e o que permanece inalterado apesar das revoluções tecnológicas?

CONVIDADO:

Olá, Clark e amigos do Hextramuros Podcast! A satisfação é minha! Obrigado pelo convite e em compartilhar um pouco de informação sobre o nosso livro “QSA-5 - Comunicação e Missão Crítica na Era da Informação e do Caos”.

Você me pergunta sobre o padrão histórico. Sobre o papel das comunicações em diferentes momentos - de batalhas, de guerras, na segurança pública, na defesa civil - e a gente percebe que o papel da comunicação vem se transformando à medida que as tecnologias vão avançando. Por outro lado, a gente percebe que, apesar das revoluções tecnológicas, as guerras, a segurança pública, a defesa civil, os grandes eventos, neles, o grande diferencial é a capacidade humana e seu desenvolvimento. Isso exige o que a gente chama de um propósito tático cibernético. Ou seja, tecnologias cibernéticas avançadas - digitais - porém, capacidades humanas, capacidades operacionais, capacidades cognitivas, em equilíbrio! É esse o grande segredo do emprego das comunicações nas batalhas modernas!

ANFITRIÃO:

O título do livro traz a expressão Era da Informação e do Caos, que sugere simultaneamente abundância informacional e desordem estratégica. Como você define esse conceito e de que maneira ele impacta diretamente operações policiais, militares e de segurança institucional?

CONVIDADO:

Esse conceito da era da informação é um conceito de Manuel Castells. Manuel Castells, é um renomado sociólogo espanhol. Desenvolveu a Teoria da Sociedade em Rede - de como as tecnologias da informação e comunicação transformam as estruturas sociais, inclusive para operações policiais, inclusive para segurança institucional - e tem muito a ver com uma percepção que o War College Americano colocou acerca dos ambientes de guerrilha da América Latina nos anos oitenta e noventa, em um ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo - o ambiente VICA, que é bastante utilizado, já hoje, no mundo corporativo. E o ambiente VICA, dada essa movimentação da era da informação, onde se compartilha, se tem acesso, se busca muita informação, se gera muita informação, se arquiva muita informação, caminha para um ambiente que a gente chama de ambiente FANI. Esse é o ambiente da era do caos, descrito pelo também filósofo Jamais Cascio no ambiente da pandemia, onde as coisas são tão voláteis que se tornam frágeis, são tão incertas que causam ansiedade, são tão complexas que restam não lineares, são tão são tão ambíguas que se tornam incompreensíveis. E isso demonstra como que a gente vai trabalhar as operações policiais, as operações militares, as operações de segurança institucional. É neste ambiente que vai se exigir tomada de decisões rápidas. É nesse ambiente que vai se exigir o compartilhamento intenso de informações e o entendimento de mensagens claras e concisas.

ANFITRIÃO:

Você afirma que voz, dados e imagens se tornaram armas informacionais em missão crítica. Na prática operacional, como essa transformação se materializa e quais riscos surgem quando esses vetores são mal protegidos ou mal empregados?

CONVIDADO:

Isso se relaciona com as formas com que a estrutura estatal exerce o seu poder, no caso, tanto de operações militares quanto de segurança pública. As formas tradicionais que o Estado exerce seu poder, seja ela instrumental, por meio da sua superioridade bélica, superioridade física, de armamento, enfim, seja ela estrutural, seja ela simbólica, ela a partir de dois mil e um, quando dos eventos de onze de setembro, foram completamente transformados. Hoje, nós temos o poder exercido pelo que nós chamamos de Poder Informacional. Essa teoria vem do MIT, da Professora Sandra Braman e, ela percebe como a informação exerce um papel interferindo tanto nos meios instrumentais, estruturais e simbólicos. Isso, na prática operacional, demonstra que, para que uma operação militar, para que uma operação de segurança pública consiga sucesso, não basta mais somente o lado instrumental - o lado colete, pistola e viatura! - é necessário trabalhar a questão informacional, seja nas comunicações entre os operadores, seja na comunicação com a sociedade! Isso exige uma maior exposição, maior domínio da informação e tomada de decisões em menos tempo! Domínio da informação significa não somente proteger a informação, não somente proteger no sentido de tratar a informação de maneira sigilosa, mas também quando difundir aquela informação. E, em alguns momentos, proteger a informação será um fator de segurança operacional, em outros momentos, difundir a informação será um fator de segurança operacional. Esses são os vetores que a gente trabalha considerando a informação e o compartilhamento da informação pela comunicação como meios de armas informacionais. São armas que não são instrumentais, não são estruturais, não são simbólicas, mas agem sobre elas, agem sobre esse domínio informacional.

ANFITRIÃO:

Um ponto central da obra é a ideia de que guerras e batalhas continuam sendo vencidas pelas capacidades humanas, ainda que apoiadas por tecnologia. Quais são essas capacidades humanas essenciais que precisam ser desenvolvidas nos operadores de missão crítica hoje?

CONVIDADO:

Se a gente está falando de um ambiente volátil, frágil, exige adaptabilidade. Se estamos falando de um ambiente incerto, de operações que causam ansiedade, exige maior entendimento da estrutura complexa. Se estamos falando de um ambiente complexo e não linear, isso exige desenvolver a habilidade da clareza. A gente está falando de um ambiente ambíguo e incompreensível, isso exige intuição, isso exige agilidade. Veja que busca-se fundamentalmente adaptabilidade, que podemos traduzir também como resiliência, entendimento da situação em transformação constante, clareza diante da complexidade dos ambientes, da não linearidade dos ambientes e um certo grau de intuição para trabalhar os ambientes ambíguos e incompreensíveis. Essas são algumas das capacidades humanas que precisam ser desenvolvidas nos ambientes de missão crítica, para que essa comunicação, para que o compartilhamento da informação seja efetivo, eficiente e eficaz.

ANFITRIÃO:

O livro apresenta a noção de um propósito tático-cibernético, que integra estratégia, tecnologia e comportamento. Como esse conceito pode ser incorporado à doutrina de instituições de segurança pública e forças policiais?

CONVIDADO:

Eu gosto muito de uma citação do Sean McFate! Sean McFate é especialista em segurança nacional americana e terrorismo e ele é membro da Universidade de Defesa Nacional Americana e da Universidade de Georgetown. Ele coloca no seu livro "As Novas Regras da Guerra" que a tecnologia por si só não nos salvará! O que ele quer dizer com isso - e a gente aborda isso também, no QSA-5, é que apesar de trabalharmos em um mundo em que as armas informacionais estão ocupando o lugar de destaque - sejam elas rádios comunicadores, drones, jammers, ferramentas de BI, de big data - toda essa massa de ferramentas tecnológicas que aparecem no campo da segurança pública, no campo das grandes guerras, das grandes batalhas - todas essas tecnologias - por si só, são insuficientes na Era da Informação e do Caos, dado o ambiente informacional que se construiu - volátil, incerto, complexo e ambíguo. Frágil e causa ansiedade não-linear - isso exige competência humana e é isso que integra o propósito tático-cibernético! Esse conceito precisa ser incorporado à doutrina das instituições de segurança pública, das forças policiais, desde a sua formação! Nós vivemos um momento em que o especialista José Ruppenthal chama de uma geração de emocionados tecnológicos ou, como coloca Neil Postman, uma geração rendida ao tecnopólio, onde a tecnologia é totalitária, não apenas auxilia, mas molda todas as instituições sociais, como a segurança pública, a família, a arte, a educação, enfim! E a tecnologia é um instrumento e, para se trabalhar adequadamente com a tecnologia, é necessário muito treinamento, muita capacidade, muita capacitação, muito desenvolvimento cognitivo. Porque a ferramenta vai ser utilizada para tomada de decisões!

E as tomadas de decisões, no caso da segurança pública, das forças policiais, muitas vezes são decisões críticas! Decisões entre agir ou não agir, atirar ou não atirar, avançar ou recuar, que podem levar a consequências desastrosas!

ANFITRIÃO:

Você propõe uma nova forma de extrair lições dos eventos históricos a partir da pedagogia jesuíta. Poderia explicar como essa abordagem funciona e por que ela é útil para a formação de operadores de missão crítica?

CONVIDADO:

A pedagogia jesuíta está formalizada num documento do Século XVI, chamado "Ratio Studiorum". E esse documento traz uma tríade: estudar, repetir e disputar. Então, nós temos uma fase chamada preleção, que é "lectio", onde se contam histórias, se estudam cases e, dali, se buscam extrair as lições. Então, cada capítulo de QSA-5 vai ter ali um momento dedicado a essa lição - as histórias de vivências - não só vivências minhas, mas de vivências da humanidade que descrevem fatos em que as comunicações apoiaram de forma determinante o sucesso ou fracasso de algumas missões. Na segunda fase, nós temos ali um "expositio", que é a lição fundamentada, tendo como referência a explicação - a inteligência do texto - e a "sententia", do latim, que traz ali um sentido doutrinário. Então, cada capítulo, após esse momento histórico, essa vivência, traz ali um elemento de doutrina e desenvolvimento de competências, ou seja, ali a gente vai trabalhar a teoria e falar das lições que foram aprendidas, exemplos, como que aquela vivência vai poder nos ajudar a classificar, a trabalhar melhor os elementos da comunicação e que se tornem capazes de trabalhar as decisões e transformar as realidades. E o terceiro elemento da "Ratio" é a disputa, que é o envio em missão. Cada capítulo, então, traz ali uma vivência. Dessa vivência, nós abordamos os conceitos, as doutrinas e envio em missão, que é o que fazer dali por diante. A grande métrica da pedagogia jesuíta é a repetição. Ou seja, da missão vão surgir novas vivências que vão ser abordadas em novos conceitos, que vão ser enviados às novas missões. A partir dessa repetição, nós vamos crescendo cognitivamente, da nossa percepção da comunicação, não só em termos tecnológicos, de suas limitações, das suas vantagens, mas também em termos de neurociência. De como comunicar de maneira clara e objetiva.

ANFITRIÃO:

Considerando sua experiência de mais de duas décadas em apoio tecnológico a operações policiais, o que recomendas para gestores e operadores que desejam elevar o nível de maturidade em comunicação de missão crítica em suas instituições?

CONVIDADO:

Eu entendo que os gestores de segurança precisam compreender que os equipamentos tecnológicos são só equipamentos! Eu costumo dizer que qualquer sistema de informação é um banquinho - daqueles de três pernas - onde você tem a gestão, o fator humano e os equipamentos tecnológicos. Os equipamentos tecnológicos são hardwares e softwares. O fator humano, aquele que pode desenvolver a capacidade, mas também, por outro lado, pode desenvolver inveja, preguiça, medo, receios. E a questão da gestão, que é aquela que precisa perceber os investimentos que precisam ser necessários. Esses investimentos não são só em equipamentos. São também em pessoas! No desenvolvimento dessas capacidades, no desenvolvimento de pessoas que possam comunicar! Muitas vezes as pessoas entendem que comunicar basta falar ou basta ter o equipamento. Comunicar é compartilhar informação! E compartilhar informação mediante o entendimento de outrem. Essa é uma nova perspectiva que a gente precisa entender na Era da Informação e do Caos. O General Stanley McChrystal, que foi comandante das forças dos Estados Unidos no Afeganistão, tem uma frase muito interessante sobre esse novo momento que a gente precisa perceber das comunicações, da era da informação e do caos, da missão crítica, desse ambiente totalmente instável onde nós estamos trabalhando defesa e segurança pública. Se lá, há mais de dois mil anos, o Sun Tzu, colocava em “A Arte da Guerra” que conhecimento é poder, McCrystal atualiza essa afirmação ao dizer que: “compartilhar conhecimento é poder!”. Então, essas afirmações todas estão no livro QSA-5, é um compilado de quase quatrocentos e cinquenta afirmações em notas de rodapé, que são trabalhadas ao longo do texto, ajudam a moldar esse ambiente da comunicação em missão crítica na Era da Informação e do Caos.

ANFITRIÃO:

Caminhando para o final de nossa conversa, meu caro, repriso os meus agradecimentos pela sua participação e o parabenizo pela clareza e qualidade do conteúdo de seu livro. Deixo este espaço para suas considerações finais. Grande abraço!

CONVIDADO:

Eu que agradeço, Clark, a oportunidade de estar aqui com seus ouvintes e falar sobre QSA-5. No mundo onde a gente trabalha informação para segurança, para defesa, por meio de drones, jammers, BI, big data, rádios comunicadores e missão crítica, tecnologia de ponta, internet, Inteligência Artificial, no fundo, o grande segredo para ter sucesso é investir na capacidade humana, por meio da intensidade de propósito e clareza de ideias. Intensidade de propósitos e clareza de ideias. Sabe, Clark, intensidade e clareza! Quando a gente fala de intensidade e clareza no rádio, nós estamos falando de um código chamado QSA, que é justamente avaliar o nível de intensidade e clareza de uma comunicação. É isso que nós estamos procurando, o nível mais alto de intensidade e clareza - o QSA-5! O QSA-5 é um livro que está disponível em diversas plataformas pela internet, na Amazon, inclusive, está disponível em e-book, e também no seu formato internacional, que é o QSA-5, de Cyber Tactical Mission for Critical Comms, que é a versão internacional que é distribuída no mundo inteiro de QSA-5. A capa de QSA-5, muitas pessoas pensam que é um rádio, mas, na verdade, é um homem segurando um rádio! É um homem que você pode perceber, pelas veias que aparecem ali, está tenso! Está numa situação empoeirada! Está num ambiente hostil e tentando se comunicar. O QSA-5 é isso: é o homem por trás da máquina! Sem dúvida nenhuma, diante de todas as tecnologias, a mais fantástica das máquinas é o ser humano! O grande problema é que, também, ela é a mais vulnerável! É por conta disso que nós trabalhamos em QSA-5. Agradeço mais uma vez, Clark, a oportunidade! Quero deixar também o meu contato no Instagram: @lucianocastilho, @lucianocastilhoqsa5. Um abraço, Clark!

ANFITRIÃO:

Honoráveis Ouvintes! Este foi mais um episódio do Hextramuros! Sou Washington Clark dos Santos, seu anfitrião! Acesse o nosso website e saiba mais sobre este conteúdo! Inscreva-se e compartilhe o nosso propósito! Será um prazer ter a sua colaboração! Pela sua audiência, muito obrigado e até a próxima!

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